Fetiche ou Fantasia?

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Em conversas sobre sexo, é comum que os fetiches sexuais entrem em pauta. As pessoas geralmente desejam saber qual é o seu ou acabam por confessar alguma necessidade particular. A questão é:

Estaríamos falando, nesses casos, sobre fetiches ou apenas expondo as nossas fantasias sexuais?

Embora sejam encaradas como sinônimos, as palavras fetiche e fantasia, no sexo, dizem respeito a coisas diferentes. De fato, a fantasia pode envolver objetos de fetiche, que é algo um pouco mais complexo e é sobre ele que falaremos hoje.

Por isso, se deseja saber mais a respeito e descobrir o que, afinal, é um fetiche, acompanhe o nosso conteúdo e descubra quais são os mais comuns.

Ponto de Partida: O que é o fetiche?

O aviso foi dado: fetiche e fantasia sexual são coisas diferentes e o primeiro é bastante complexo. Para que possamos explicar de que se trata, retomemos ao contexto de surgimento e uso da palavra, entre os anos de 1750 e 1757. Seremos breves em nossa exposição:

No período mencionado, ao serem estudados os cultos religiosos da África Ocidental, fora percebido o uso de objetos aos quais eram atribuídos poderes mágicos e sobrenaturais. Objetos que enfeitiçavam.

O conceito ganhou uso revolucionário com o passar dos séculos, primeiro com Marx e depois com Freud, que é o que nos interessa: Freud faz uma leitura de fetiche em sua teoria sobre sexualidade, tratando-o como substituto do falo, onde a satisfação sexual é obtida por meio desse “supridor”, que é palpável e representa um objeto de satisfação desde sempre perdido.

Complicado, certo? Mas não mencionamos estudos tão antigos à toa, e, agora, vamos simplificar:

Freud aproxima a sua compreensão de fetiche àquela feita nos primeiros apontamentos. Ele defende que o fetichismo ocorre quando há uma adoração exacerbada a uma parte do corpo humano (pés, por exemplo) ou a objetos específicos (salto alto, roupas íntimas).

Esses objetos não estão, necessariamente, relacionados ao sexo, mas promovem excitação ou facilitam o orgasmo e são, por vezes, imprescindíveis.

Fetiche ou Fantasia?

Quando há um fetiche, o objeto inanimado ou parte do corpo humano agem como uma necessidade do indivíduo, podendo ser a única maneira de se excitar ou atingir o orgasmo. Na fantasia, isso não acontece.

Uma fantasia sexual é tudo aquilo que nós imaginamos, desejamos vivenciar sexualmente em algum momento – que pode ou não chegar -, mas que não afeta a nossa satisfação sexual.

O Ménage à trois é um bom exemplo: ele não precisa ser realizado por um casal para que ocorra a excitação ou satisfação no sexo; atua, apenas, como uma vontade e uma possibilidade.

Vale destacar que, precisar de um objeto ou recorrer a partes específicas do corpo humano para obter prazer faz parte de comportamentos sexuais normais; o que caracteriza um comportamento anormal é quando esse fetiche causa dor e sofrimento a outra pessoa por ser praticado sem consentimento ou afeta diferentes aspectos da vida daquele indivíduo.

Os fetiches mais comuns

Podolatria

Do grego podos (pés) e latria (adorar), é o fetiche caracterizado pelo desejo sexual e a excitação ao tocar, ver, lamber, beijar ou massagear os pés de outro indivíduo. Para os podólatras, os pés atuam de maneira equivalente aos seios ou as nádegas, que são as partes do corpo comumente sexualizadas.

Alguns são adeptos do footjob, onde a masturbação é realizada com o uso dos pés do parceiro, mas, não ocorre em todos os casos. É importante destacar que, embora essa pareça ser uma categoria homogênea, ela é, na verdade, imensamente vasta:

Há quem prefira a sola dos pés; outros, gostam do tamanho ou formato dos dedos. Certos podólatras tem fixação em unhas grandes ou em seu oposto. Da mesma forma, os estímulos que despertam o desejo sexual ou compõem o elemento erótico em uma dinâmica sexual variam de indivíduo para indivíduo.

Retifismo e a Altocalcifilia

Apesar do retifismo não ser necessariamente uma categoria popular – é o desejo e/ou excitação por todos os tipos de calçados -, ela compreende uma outra, que possui inúmeros adeptos: a altocalcifilia. A Altocalcifilia trata da excitação específica provocada pela observação de indivíduos com salto alto e, em menores casos, no uso do salto alto durante a relação sexual.

Não significa que achar uma mulher de salto alto bela faça de você um fetichista dessa classe, mas, quando ocorre a excitação ou quando o salto alto é uma condição para que ela exista, você se encontrará dentro do grupo.

Narrotofilia

Esse talvez seja o fetiche mais comum da lista, embora nem todos o conhecem pelo nome. Consiste em narrar os atos sexuais que acontecerão ou que desejam que aconteça durante uma experiência sexual, ainda que não seja a praticada no momento.

Se você gosta de ouvir o seu parceiro contar “histórias” e situações eróticas, pede para que ele te diga o que vai fazer ou utilize palavras específicas durante a transa, você pode ser um narratofílico/a.

Um ponto interessante é que a narração não precisa ser sexual. Há quem se excita ao ouvir uma poesia ser recitada. Outros, com palavras “difíceis” ou de pouco uso. Também àqueles que sentem tesão em palavras proferidas em outro idioma.

Salirofilia

O sal que nomeia o fetiche não está aí sem motivos: ele é provocado pelo desejo ou atração sexual por fluídos orgânicos que contém sal. Sei que, falando dessa forma, parece algo “distante” do que fazemos, mas falamos aqui, sobretudo, de saliva e suor.

E não é algo indiscriminado: é o suor ou a saliva de pessoas específicas, em contextos pontuais (geralmente sexuais). Nesses casos, o indivíduo excita-se ao ver alguém lamber um objeto fálico, lamber uma outra pessoa ou ao ser lambido. Ver o suor ou a saliva escorrer também podem provocar excitação, assim como lamber o suor. Em alguns casos, o odor de suor de uma pessoa também podem provocar excitação.

Asfixia Erótica ou Asfixiofilia

Embora comum, pode ser uma prática perigosa. A Asfixia erótica se refere precisamente a auto-asfixia, já a restrição intencional de oxigênio feita por outra pessoa é conhecida como asfixiofilia.

Nas comunidades BDSM a prática é chamada de breath play ou control. O prazer é causado pelo acúmulo do dióxido de carbono (que pode provocar tontura e vertigem), já que as artérias carótidas ricas em oxigênio são comprimidas, fazendo com que haja uma perda súbita desse elemento.

Como dito, ser comum não faz dela pouco perigosa. Há casos famosos de morte acidental provocada pela asfixia erótica, como é o caso de David Carradine, do repórter Kristian Digby da BBC e do músico Kevin Gilbert.

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